Comunicação em tempos de bolhas desafia marcas e instituições

Jul 10, 2026 - 10:23
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Comunicação em tempos de bolhas desafia marcas e instituições
???? Alesandro Carvalho

Por: Vera Lima Bolognini

Vivemos um paradoxo fascinante e, ao mesmo tempo, assustador: nunca tivemos tantas ferramentas para nos comunicar e, paradoxalmente, nunca foi tão difícil ser ouvido. Esse foi o fio condutor do 10º Seminário da ABRACOM Minas, realizado, dia 5 de julho/26, na sede da Hotmart, em Belo Horizonte. 

O evento, que reuniu o setor de agências de comunicação, não se limitou a discutir tendências de mídia ou novas tecnologias; ele colocou o dedo na ferida da nossa era: como construir pontes de confiança em um mundo cada vez mais fragmentado?

A programação trouxe provocações necessárias. Paulo Emediato, da Inovabra, iniciou o debate lembrando que a tecnologia não é apenas um meio, mas um agente que redesenha o comportamento humano. O cenário digital, hoje, é um mosaico de segmentações onde as marcas tentam, com esforço, encontrar relevância.

O painel sobre “bolhas sociais” foi, talvez, o momento mais emblemático do dia. Ao lado de nomes como Gabriel Didier (Ambev) e Ludmila Ximenes (Grupo DVT), discutimos a exaustão do discurso de massa. Em um ambiente de comunidades com interesses tão específicos, e muitas vezes antagônicos, como manter uma reputação sólida? A resposta, embora complexa, parece passar pela escuta ativa e pela construção de narrativas que não apenas vendam, mas que gerem credibilidade institucional. Não se trata de convencer a todos, mas de ser coerente com quem se pretende dialogar.

O ponto alto da reflexão, contudo, veio no encerramento com Vânia Bueno. Ao trazer o foco para as relações humanas, governança e liderança, ela nos lembrou de uma verdade fundamental que, muitas vezes, perdemos de vista sob o brilho dos algoritmos: a comunicação é, em última instância, um ato de conexão humana. A tecnologia é nossa aliada, mas a empatia, a ética e a qualidade das nossas trocas seguem sendo o verdadeiro diferencial competitivo de qualquer marca ou profissional.

O seminário ABRACOM não ofereceu receitas prontas, até porque elas não existem neste cenário de metamorfose contínua. O que ficou claro foi a necessidade urgente de as agências de comunicação se reposicionarem. Mais do que produtores de conteúdo, precisamos ser arquitetos de relações consistentes. Em tempos de desconfiança generalizada, o valor mais caro e disputado não é o alcance, mas a reputação pautada na humanidade.

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