Rede Fazedores de Arte e Cultura se reúne com executivo municipal
Propondo alternativas aos artistas e grupos locais, Conceição do Mato Dentro se movimenta. Em recente reunião com integrantes da Rede Fazedores de Arte com o prefeito Otacílio Neto e a secretária Júlia Santana e sua adjunta, Juliane Cirino, da nova gestão da Secretaria Municipal de Cultura e Patrimônio Histórico, discutiram-se os primeiros passos de um planejamento cultural mais estruturado, transparente e participativo, além da criação de editais simplificados, credenciamento de artistas locais e ações na sede e nos distritos. “Precisamos agir com muito diálogo, conhecimento e sensibilidade para fazer deste momento que estamos vivendo em nossa cidade um período de incentivo, promoção e ampliação das nossas práticas artísticas e culturais. A cultura é um bem de todos”, afirma Cristiano Pena, artista comunitário e membro da Rede Fazedores de Arte.
É nesse cenário que surge, com esperança e senso crítico, o fortalecimento da Rede Fazedores de Arte, criada em 2020, e de instrumentos como o programa “Nossa Arte”. Com apoio jurídico atualizado e inspirado nas novas legislações federais e municipais, o município se prepara para lançar editais que prometem rodízio de beneficiários, valorização das diversidades culturais e inclusão de artistas historicamente sub-representados.
A proposta de inserir condicionantes culturais nos licenciamentos ambientais da mineração também aponta para uma política mais ousada, que reconhece a cultura como vetor legítimo de desenvolvimento — e não mero apêndice decorativo de grandes empreendimentos. O desafio será transformar essa intenção em regra, e não em exceção.
Comissões técnicas, concursos públicos específicos para a área cultural, plano municipal de leitura, centro de formação artística e a criação de um espaço multiuso são algumas das ações em curso. Todas elas, no entanto, dependerão de orçamento, vontade política e, sobretudo, da pressão constante da sociedade civil.
O poder público começa a sinalizar que pode caminhar lado a lado com quem faz arte na ponta. Resta saber se as estruturas mais altas do sistema — Brasília, setor privado, mineradoras — seguirão apenas premiando o espetáculo ou se terão coragem de apostar no processo. Porque fomentar cultura não é caridade. É decisão política.
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