Após perdas de R$ 1,2 bilhão, Minas amplia articulação para enfrentar incêndios florestais na seca

Jun 18, 2026 - 12:22
 0  4
Após perdas de R$ 1,2 bilhão, Minas amplia articulação para enfrentar incêndios florestais na seca
???? CBMG

Com a aproximação do período de estiagem, Minas Gerais intensifica as ações de prevenção e combate aos incêndios florestais. A mobilização ocorre após um dos cenários mais severos dos últimos anos: cerca de 305 mil hectares foram atingidos pelo fogo no último ciclo seco, gerando prejuízos estimados em R$ 1,2 bilhão e impactos sobre áreas produtivas, vegetação nativa e atividades industriais.

Para enfrentar a temporada de 2026, o estado aposta em uma estratégia baseada na integração entre setor produtivo, órgãos públicos e equipes especializadas de combate ao fogo. A proposta reúne investimentos em monitoramento, fortalecimento de brigadas, compartilhamento de recursos operacionais e ampliação de acordos de cooperação.

A coordenação das ações é liderada pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, em parceria com instituições públicas e entidades representativas do setor florestal. Entre elas está a Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF), que passa a atuar em novos instrumentos de coordenação, como o Programa Minas Contra o Fogo. Também ganha destaque o fortalecimento do Plano de Auxílio Mútuo Florestal (PAM Florestal), iniciativa que reúne empresas do segmento para ações conjuntas de prevenção, monitoramento e resposta rápida às ocorrências.

Minas Gerais possui a maior área de florestas plantadas do país, com aproximadamente 2,3 milhões de hectares distribuídos em 803 municípios, o equivalente a cerca de 24% da base florestal brasileira. Além disso, o setor mantém mais de 1,3 milhão de hectares de vegetação nativa conservada, área comparável à destinada ao cultivo de café no estado.

A dimensão dessa estrutura amplia os desafios relacionados à prevenção de incêndios durante a seca. Para a presidente executiva da AMIF, Adriana Maugeri, o enfrentamento do problema depende da atuação conjunta de diferentes setores.

“Estamos diante de um cenário em que a prevenção precisa ser estruturada de forma coletiva. O setor florestal investe de maneira permanente em brigadas, monitoramento e infraestrutura, mas a efetividade da resposta depende da integração com o poder público e com os sistemas estaduais de combate”, afirma.

Um dos principais avanços para este ano é a formalização de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre a entidade e o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. O documento estabelece mecanismos para compartilhamento de recursos operacionais, apoio logístico e atuação coordenada em ocorrências de maior complexidade, especialmente em áreas de transição entre florestas plantadas e vegetação nativa.

Segundo a engenheira florestal Laura Lima, coordenadora técnica da AMIF, a rapidez no atendimento aos focos de incêndio continua sendo um dos fatores mais importantes para evitar que as chamas ganhem grandes proporções.

"O combate ao fogo florestal depende de velocidade de resposta. Em muitos casos, minutos fazem diferença entre um foco controlado e um incêndio de grandes proporções. A integração operacional é o ponto central dessa estratégia”, explica Laura, da área técnica da entidade.

O Plano de Auxílio Mútuo Florestal é apontado como uma das principais ferramentas para ampliar essa capacidade de resposta. O modelo permite o compartilhamento de equipes, caminhões-pipa, equipamentos, sistemas de monitoramento e estruturas de apoio entre empresas do setor, fortalecendo a atuação em regiões consideradas estratégicas.

Além da resposta emergencial, as ações incluem medidas preventivas, como a construção de aceiros, limpeza de margens de rodovias, monitoramento por torres de observação e uso de tecnologias para detecção de focos de calor em tempo real. Sensores, imagens de satélite e sistemas de análise de dados também vêm sendo utilizados para aprimorar a vigilância e a previsão de riscos.

Para Adriana Maugeri, a experiência recente demonstra que investir em prevenção é mais eficiente do que agir apenas quando os incêndios já estão em curso.

“A experiência dos últimos anos mostra que a maior parte dos grandes incêndios poderia ser evitada com detecção precoce e manejo preventivo. O investimento privado tem crescido justamente nessa direção, com tecnologia e estrutura dedicada à prevenção”, destaca.

Os impactos registrados no último período de estiagem reforçam a urgência dessas medidas. Além dos prejuízos econômicos estimados em R$ 1,2 bilhão, os incêndios afetaram áreas produtivas e provocaram reflexos em cadeias industriais ligadas à madeira, energia e celulose.

O cenário também evidenciou a complexidade do combate ao fogo em Minas Gerais, onde extensas áreas de produção florestal convivem com vegetação nativa e regiões de difícil acesso. Nesse contexto, o setor mantém uma das estruturas privadas mais robustas do país para prevenção e combate a incêndios, com brigadas especializadas, caminhões equipados, sistemas de monitoramento e bases operacionais distribuídas pelo território mineiro.

Com o avanço da seca e o aumento do risco de queimadas, a expectativa é que a integração entre empresas, governo e forças de resposta contribua para reduzir os impactos dos incêndios florestais. Campanhas educativas e ações de conscientização em áreas rurais também fazem parte da estratégia, reforçando a importância da participação da população na prevenção de queimadas irregulares.

Em um cenário marcado por estiagens mais prolongadas, temperaturas elevadas e eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, a prevenção aos incêndios florestais passa a ocupar posição central nas agendas de proteção ambiental, segurança pública e desenvolvimento econômico. A aposta de Minas Gerais é transformar a cooperação construída nos últimos anos em um modelo permanente de atuação para proteger vidas, patrimônios, florestas plantadas e áreas nativas.

Qual é a sua reação?

like

dislike

love

funny

angry

sad

wow